
Os temas aéreos perseguem-me, ainda que quando iniciei o blog não tivesse intenção de lhes dar continuidade.
Num dia em que tinha que tomar decisões e pedi sinais, houve dois acontecimentos estranhos.
Num intervalo de trabalho de meia hora (ainda estou na dúvida em como abordar o tema do meu trabalho, por isso não me vou alongar mais por enquanto), entrei num jardim. O jardim tem um lago relativamente grande de águas verdes e paradas povoadas por patos e um cisne. Logo à saída, que é como quem diz junto à entrada do jardim, eu é que estava de saída, mas dizia eu, logo à entrada num recanto do lago percebi que havia algo estranho à superfície. Era um pombo, vivo. Aproximei-me e vi-o bater uma só vez as asas, parecia já não ter força. Ainda antes que eu tomasse qualquer acção, dois homens na casa dos 50 ou 60 que vinham em sentido contrário aproximaram-se também e um deles consegue esticar-se e alcançá-lo.
Isto é terra de caçadores e eu estava longe de saber a intenção deles. Ainda não sei e daqui podem já ficar a saber que esta primeira de duas histórias não vai ter um final muito conclusivo. Um deles segurou-o, pareceu-me com algum cuidado e começou a examiná-lo. O pombo tinha uma ferida nas costas em carne viva, junto à base da cauda. Eu disse que parecia que ele tinha sido mordido. Um dos homens achou que teria sido acidente e o outro menos convincente acho que teria sido o cisne que se aproveitou do pombo estar em dificuldades na água. Eu estava com pressa para voltar ao trabalho e virei costas e os homens também seguiram o seu caminho, um deles com o pombo junto ao peito.
E nisto tudo o que me ficou como memória visual foi a inexpressividade da cara do pombo. Estava ferido e a afogar-se e nada na cara dele me permitia distinguir nem um vislumbre de sofrimento.
Nesse mesmo dia, ao chegar a casa do meu 1º dia de trabalho, uma vizinha disse-me "Olha, o teu quintal foi assaltado". Ao entrar no quintal, ouço um ronco muito alto e mesmo assustador vindo do topo da única árvore do quintal. Com dificuldade vejo o que se tratava. Um enorme enxame de abelhas tinha aterrado ali. A minha vizinha já tinha chamado um apicultor que conseguiu colocar uma caixa mesmo debaixo delas, na esperança que quando ele voltasse ao anoitecer elas tivessem decidido descer para dentro dela.
Por volta das 20:30 ele apareceu. A maior parte das abelhas tinha efectivamente descido, mas uns 10% ainda estava no tronco da árvore. Entre meia dúzia de picadas, ele conseguiu tirá-las de lá, mas muitas ainda caíram no chão. Enquanto ele andava nos afazeres de fazer uma tampa para a caixa, pisou algumas delas enquanto conversava comigo. Quando lhe disse que havia ainda muitas no chão ele disse-me que uma parte deles ficava condenada com a queda, porque partiam pernas ou davam cabo das asas. E falou-me do curto tempo de vida delas: uma 5 semanas durante o Verão e umas 3 durante o Inverno.
Quando finalmente as conseguiu trazer para baixo dentro da caixa que estava muito pesada, olhando para algumas abelhas no chão disse "Vou apanhá-las... eu tenho pena das bichinhas, não quero que fiquem orfãs".
Nessa noite, enquanto via as noticias de um enxame que tinha aparecido algures em Lagos e que meteu bombeiros e tudo, lembrei-me que tinha que ir à net à procura de uma música que tinha num DVD que entretanto se estragou.
You want alchemy?
They turn the roses into gold
They turn the lilac into honey
They're making love for the peaches
And they'll do it for you.
