
Saí de casa e aguardei bastante tempo na paragem do autocarro. Aparece um cão magro a quem já tinha dado comida noutro dia e deitou-se a uns 3 ou 4 metros. Hesitei: "Volto ou não a casa para ir buscar qualquer coisa para lhe dar?"
Como tinha coisas para fazer mas nada com hora marcada, fui a casa e voltei com um saco com arroz de cenoura. Ao sair da porta de casa vejo o autocarro se aproximar. Atravesso a rua a correr, jogo o saco com o arroz para junto do cão que começa a ganir e sai dali correndo e ainda apanho o autocarro.
"Porque é que não fiquei a lhe fazer companhia e esperava outro autocarro?"
Estas coisas noutros tempos tinham-me saído logo da cabeça, mas continuo com um nó na garganta e um aperto no peito. Não choro há mais de 25 anos, mas deve ser qualquer coisa equivalente.
Talvez se não tivesse sido assaltado levasse estas coisas de forma mais leve
Sinto-me cada vez mais incapaz de ver tv ou viver no meio de pessoas. Não tiro nenhum prazer nem numa coisa nem noutra. A ideia de viver de forma permanente numa cidade é insuportável, seja qual seja o tamanho da cidade.
Ando na rua como um alienígena que não compreende o que se passa à volta nem tem paciência para fazer um esforço para compreender.
Isto tudo à beira de realizar um sonho que parecia inalcançável, que em simultâneo me vai permitir afastar do mundo e voltar a construir o meu mundo quase perfeito.
2 comentários:
Arroz de cenoura?!? Muita sorte tens tu se o canito não te for enferrujar as jantes...
Abraço!
Rapaz, tu fazes vida com esta história dos blogues?
É que tu és a minha única visita normalmente e ainda por cima dás-te ao trabalho de comentar aqui e dar resposta ao rio de gente que visita e comenta o teu blog.
Espero sinceramente que ganhes dinheiro com isto e se não for o caso, que ao menos tenhas uma enorme satisfação com esta história.
És o meu herói :)
Postar um comentário