
Há 2 dias, no telhado do meu local de trabalho ficou só mesmo o barulho dos ares condicionados, já não existe o barulho das corujas. Olhei para o chão em volta à procura dos corpos das jovens corujas esperando não vê-las e não as vi, foram mesmo embora e o seu primeiro voo foi bem sucedido.
Na rua em baixo ouço uma enorme algaraviada de pardais. Comecei a pensar se esse ruído sempre estivera ali e chego à conclusão que não. Está vento e já passando das 10 da noite está algum frio. As árvores onde eles estão agitam-se com alguma violência. Como é que eles vão conseguir dormir assim?
Entretanto vejo um vulto escuro deslizar árvore acima. Não havendo iguanas ou outros grandes lagartos nas cidades, fiquei espantado. Passados uns minutos vejo um gato descer da árvore. Não trazia nada na boca. Possivelmente a algaraviada dos pássaros seria devido ao gato já ser visita regular na árvore e os pássaros estavam passando a palavra.
As corujas foram embora e talvez eu também vá.
Não coloquei este post imediatamente na altura em que as corujas foram embora para não azarar, queria só colocá-lo quando soubesse com certeza que me ia embora, mas mudei de ideias. Fica então aqui um registo do tempo em que não tinha certeza que me ia embora.
Ontem à noite voltei ao telhado do meu local de trabalho e continuava a não haver sinal de corujas. Os pardais estavam também mais calmos. Sem mais nada para ver a não ser a cidade à noite, após 10 minutos preparava-me para descer e eis que uma pequena coruja passa por cima de mim. Não me pareceu que fosse um adulto e fiquei sem certeza que tivesse saído do antigo ninho.
O pardal afinal talvez seja uma fêmea. Mentiria se dissesse que a forma como o vejo não mudou desde que descobri que será uma fêmea.
Vou ver se aguardo que caiam as primeiras chuvas para a soltar. Nessa altura será fácil encontrar pequenas poças de água e formigas aladas.
Não vou sentir falta do bater de asas nem do "código-morse" que ela faz ao bicar a comida na beira do tapete do rato. A minha falta de memória é de tal forma que me faz esquecer até do que / de quem mais gosto. Mas quando voltar a ver este blog vou sentir saudade dela, mas não me vou lembrar de muito.
Que estupidez é a nossa falta de perspectiva. Parece que vivemos completamente às avessas, estamos perfeitamente centrados no tempo presente quando seria muito melhor para nós termos uma perspectiva mais global da nossa vida. Por outro lado estamos completamente absorvidos no passado e futuro quando devíamos estar centrados no momento presente. É simples e vou dar um exemplo.
Quando apareceu um cão pequeno à porta da minha casa, acolhi-o muito a contra-gosto. Comecei imediatamente a ver como me iria ver livre dele. Ao longo de algumas semanas procurei quem quisesse ficar com ele e fiz o que pude para não me afeiçoar. Acabei ficando com ele, cheio de dúvidas acerca do que estava a fazer.
Bolas, como eu o adoro. Como é que não vi a felicidade imensa que ele me viria a trazer. Que estupidez. Arrependo-me do graças a Deus curto tempo em que me esforcei por não gostar dele.
Esqueçam-se as almas gémeas, pode-se gostar de quem quer que seja. Mas parece que nós estamos programados para depender do estúpido enamoramento para nos disponibilizarmos a isso.
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