terça-feira, 5 de agosto de 2008

Reino das fadas à direita


Ainda vejo grandes manchas de luz a passar de vez em quando nos limites de visão do meu olho direito, devido às pancadas. Já aprendi a conviver com elas e já poucas vezes me enganam, já é raro olhar para a direita para ver o que é, apesar de ser uma reacção instintiva.

Também da direita vem o barulho de bater de asas do pardal a ensaiar os seus arremessos de voo, uma vez que anda a maior parte do tempo solto pela casa.

Esta combinação esporádica de manchas de luz e barulho de bater de asas faz-me sentir no meio de um conto de fadas, é mesmo um pouco surreal.

O pardal ensaia as suas asas e parece-me que tem gosto nisso. Neste preciso momento está a tentar ir para cima de um cadeirão, treparando por um par de calças que lá está pendurado e que vai até ao chão.

Uma pequena ave à solta numa casa dá uma alegria enorme ao ambiente. É talvez da distância, porque ele ao perto tem um ar sério e zangado e chega mesmo a ser agressivo quando come.

Ao vê-lo ensaiar os seus primeiros voos ao longo da planície do hall de entrada, dei por mim a invejá-lo. Ele vai voar. Ele está a aprender a voar. Imaginei o quão magnifico seria passar pela mesma aprendizagem.

A imagem não é o meu meio de expressão preferido e muito menos as palavras.

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