
Hoje vi na tv um documentário sobre macacos, animais que nunca me atraíram a atenção, até ter passado pela situação de encontrar um chimpanzé bebé frente a uma porta de uma casa que quando me viu, correu para mim e se abraçou às minhas pernas. A surpresa estúpida que eu tive quando ele olhou para cima... havia ali alguém.
Voltando ao documentário, um jovem macaco indiano tinha-se perdido do seu bando e vivia isolado. Com muito jeito e cautela foi-se aproximando de outro bando e após vários dias foi aceite, porque uma macaca tinha perdido o filho e decidiu adoptá-lo, apesar de ele já ser um bocado grande.
Esta capacidade e vontade de adopção de um bebé que não é nosso descendente não tem nada de estranho para mim. Eu acredito na história do gene egoísta, que a selecção natural não se faz ao nível das espécies, que são um conceito abstracto e de contornos vagos, mas ao nível do gene. Os genes mais fortes sobrevivem.
A adopção pode ser um efeito colateral do instinto maternal/paternal... ou não. Os humanos por exemplo, partilham mais de 99% dos seus genes. Ao cuidarmos uns dos outros independentemente dos laços familiares, protegemos 99% dos nossos genes. Quando cuidamos de um filho, protegemos talvez 99,5% dos nossos genes.
Ao cuidar de um chimpanzé, protegeremos aproximadamente 98,5% dos nossos genes. A cotovia ao cuidar de um cuco protegerá aproximadamente o mesmo.

Ao cuidar de um pardal, protejo sabe Deus e mais algumas pessoas, que percentagem dos meus próprios genes...
Na Natureza estas diferenças de centésimas são importantes e decisivas, devido à quantidade de animais existentes e da vastidão do tempo. Pra mim não.
Fico assim na dúvida, se os casos de adopção dentro e fora da mesma espécie são efeitos colaterais dos instintos parentais ou mais uma manifestação do egoísmo dos genes.
E perguntar se há efeitos colaterais não está muito distante de perguntar se há coincidências.
2 comentários:
Se bem que os animais demonstram ser capazes de terem atitudes que nos humanos seriam impossíveis, pois quando eles adoptam um ser duma espécie diferente consideram-nos filhos, nós consideramos animais de estimação.
Abraço.
Olha que há uma quantidade de gente sozinha (e não só) por esse mundo fora para quem os animais são mais do que família.
Penso que os teus "nhó-nhós" são também bons candidatos a tornarem os animais em mais do família.
Hoje vi um documentário acerca de crianças que são criadas por animais. Eles desmontaram um caso de um miúdo em Africa que foi criado por macacos. Na realidade o que aconteceu foi que os macacos o toleravam e ele aproveitava as sobras deles para sobreviver.
Isto, tanto nos bichos como nas pessoas, há de tudo.
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