
Os jogos olímpicos estão aí e perdeu-se o gosto de fazer por fazer. Na lista de prioridades, a seguir a "ganhar uma medalha" o mais importante "é competir".
Olho para as caras sérias dos atletas nos momentos que precedem uma competição e penso que não deveria ser assim. E ouço os comentadores a dizer que ali é que se vê se o esforço de anos e anos de treinos e aperfeiçoamento valeu a pena.
E vejo a alegria de alguns atletas porque chegaram ao ouro e o desapontamento total de outros que só chegaram à prata. Não há limites para a ambição e concerteza que isso há de ser bom, de alguma forma.
À margem dos jogos, o pardal consegue ir melhorando a sua performance dia a dia, conquistando posições cada vez mais altas, apesar de ainda não conseguir alcançar os 30 cms de altura com os seus voos.
Penso que ele tem gosto na aprendizagem e se sente satisfeito quando alcança um ponto alto.
A ave de rapina que atormentava as andorinhas próximo do meu local de trabalho deve ter morrido. Quantas vezes se vê uma pequena ave de rapina morta no passeio de uma cidade?
As corujas bebés próximas do telhado do meu local de trabalho continuam a ganhar coragem para sair. E que coragem têm que ter. O seu primeiro voo será atirarem-se de um buraco numa parede a umas dezenas de metro de altura. Como é que se tem coragem para isso, sem nunca ter experimentado as asas?
Como eu admiro essas corujas pelo salto de fé que irão dar, o pardal pela alegria com que cresce e evolui, as andorinhas pelo gosto que têm gosto em voar (não tenho dúvidas, já as vi cavalgar o vento fazendo oitos por puro prazer) e pela pequena ave de rapina pelo espírito superior que ainda parecia ter, mesmo morta.
2 comentários:
Já pouco se faz apenas pelo prazer de o fazer, e sinal disso é que poucas pessoas ainda conseguem reparar nos pormenores que referiste. Estamos a ficar uma sociedade de autómatos, sem sentimentos, onde a única prioridade é competir, muitas vezes nem se sabe pelo quê.
Abraço.
Mas por outro lado, cada vez mais pessoas têm consciência disso que dizes, cada vez mais pessoas assim são pais e com sorte, os filhos deles vão ficar habituados a ver o mundo de outra maneira.
Postar um comentário