domingo, 18 de maio de 2008

Augúrios primaveris



Apesar de ontem ter sido um dia em que alcancei finalmente algo que persegui durante anos, não ia mencionar nada aqui... até que surgiram os pássaros.

Quando estava a chegar ao trabalho, próximo do por-do-sol, olho para o céu devido ao ruído das andorinhas, muito acima do normal. Revi uma cena que tinha saudade, dos tempos em que num local remoto, tentava chegar a casa antes do final da tarde para poder assistir ao regresso das andorinhas à cidade. Eram dezenas de milhares e reuniam-se em bandos imensos muito alto ao voltar da selva. O espectáculo durava quase uma hora.

Uns minutos antes de terminar, subiam ainda mais alto chegando mesmo a andar acima das nuvens. E então uma descia e arrastava algumas centenas consigo num voo picado de centenas de metros. E entravam na cidade a alta velocidade ziguezagueando entre os carros até começarem a pousar e se concentrarem no fios eléctricos e de telefone no centro da cidade.

Assisti a uma concentração muito movimentada e barulhenta ontem ao chegar ao trabalho e pensei que seria um bom augúrio para o início de algo pelo qual eu lutara durante anos.

De repente vejo no meio delas uma ave pouco maior que um pombo mas mais esbelta. Era uma ave de rapina e as andorinhas tinham-se reunido num alvoroço e voavam em volta dela, tentando afugentá-la. Ao fazê-lo, por vezes quase eram apanhadas. Ela de vez em quando dirigia-se ao edifício e esvoaçava junto aos ninhos. Algumas andorinhas aproximavam-se em voos rasantes nessa altura e a ave afastava-se.

Se foi um augúrio, então infelizmente penso que pode ser um aviso de que deveria ter tido cuidado com o que pedia aos deuses porque eles podiam concedê-lo.

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