quinta-feira, 22 de maio de 2008

Cães e abutres


Continuo a rondar o assunto do trabalho como um tubarão, a fazer passagens cada vez mais próximas de uma presa com que quem receia se defrontar, mas que deseja aniquilar... ou como um abutre que faz círculos em torno de um animal moribundo. Esta do abutre está melhor porque, para além se continuar em temas aéreos, eu sei que o trabalho que tenho é temporário, não deverá passar de 30 de Junho.

Hoje, por volta das dez da noite, sai da sala cheia de gente onde trabalho para um intervalo e subi até ao topo do edifício, que é um dos mais altos da cidade. Faço isso em todos os intervalos e já calculo o tempo que tenho disponível para o intervalo pelas músicas que trauteio - musicas minhas, já agora.

Falando em música, este blog teve a vantagem de me por a fazer qualquer coisa mais artística com o intuito que quebrar a aridez do texto. Comecei por isso a fazer estas imagens que aqui vou pondo. E se antes era o texto que me forçava a criar as imagens, agora já são as imagens a me fazer procurar desculpas para colocar texto - como é o caso. Até já tenho que colocar mais do que uma por post, porque por ora, não tenho o que mais dizer. Por outro lado tenho a desculpa de que estas três imagens mostram uma evolução sobre o mesmo tema, ou para ser mais correcto, uma regressão, uma vez que estão por ordem temporal inversa.


Como estou lá em cima, com aquela visão de 360º a toda a volta e a cantar, faz com que não preste demasiada atenção ao que está à minha volta (excepto à porta que dá para o telhado, para não ser apanhado a cantar sozinho) e quando ouvia um ladrar no meio da noite, não dedicava muita atenção a ver de onde vinha. Mas hoje finalmente vi.

Está preso numa varanda pequena à noite. Há luz por trás das portas de vidro que dão para a varanda, mas não o deixam entrar. Ele ladra virado para a porta como se gritasse quase a chorar "quero entrar!", mas abana a cauda. Abana a cauda e espera. E espera e a cauda cai e ele volta ao silêncio.

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