terça-feira, 27 de maio de 2008

Corujas e andorinhas


Durante as subidas ao telhado do local onde trabalho à noite, já tinha visto uma coruja das torres passar um par de vezes.

Este fim de semana vi-a de novo. Têm um aspecto algo fantasmagórico, uma vez que sendo a parte de baixo completamente branca, parecem seres iluminados contra o escuro do céu.

Tendo presenciado a tentativa de ataque de uma pequena ave de rapina contra os ninhos de andorinhas num dos prédios do local onde trabalho, quando vi a coruja se aproximar da parede do prédio temi o pior. O que vi espantou-me de várias formas. Planou paralela ao prédio, um metro abaixo da linha dos ninhos das andorinhas e depois de ter passado por todos os ninhos, virou rapidamente em direcção à parede, fechou as asas no último momento e entrou como um míssil para dentro de um buraco redondo na parede, que eu nunca tinha reparado, mesmo à justa para ela.

Fiquei a olhar para o buraco e para a curta distância que separava a coruja das andorinhas. Fiquei a pensar na confiança com que as andorinhas vivem tão próximo de um predador e a perguntar-me se sabiam do que se passava pouco abaixo dos seus ninhos.

Fiquei também a pensar nos planos que faço sem saber o que amanhã já saberei. Cada vez mais tenho consciência da necessidade de me centrar no presente a cada vez mais tenho razão para, por um lado me alienar do presente e por outro, ansiar por futuros próximos e longínquos.

Já dizia Joyce "Mr. Duffy lived a short distance from his body".

É interessante escrever sobre pássaros, que é um assunto que não me interessa por aí além.

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