
Devido ao calor, os passeios com o cão restringem-se à noite. O parque aqui próximo tem um grande sistema de lagos que estão rodeados por vedações semelhantes à da imagem que se encontra no final do post.
As luzes atraem insectos e por isso, por baixo de cada uma das luzes, há uma teia de aranha. Assim sendo, havendo centenas de metros de vedações, há centenas de luzes e de teias de aranha.
Nestes dias de verão, tenho visto as teias cada vez com mais insectos e as aranhas estão visivelmente mais gordas.
Hoje, sentado em frente a uma destas vedações, reparei que parte dos insectos que estavam na teia estavam vivos e que a aranha já nem se dava ao trabalho de os enrolar.
Fui lá tirar um e a aranha fugiu. O insecto veio com um fio da teia atrás e não sei se se safou quando o soprei da ponta do dedo.
Volto a apreciar a noite e cai mais um insecto na teia. Repito a operação.
Outro insecto um pouco maior aproxima-se da teia em direcção à luz, mas recua. Vem outro mais pequeno e cai. Olho para o lado e quando volto a olhar para a teia, já não sei qual foi o insecto que acabou de cair, estão lá mais de meia dúzia. Desisto.
Comecei a contar esta história (verídica, mas que importa?) porque tinha feito mais uma imagem e precisava arranjar o que dizer e nem sabia muito bem porque é que tinha escolhido este tema, para além de ser algo que se passou há pouco tempo. Só agora me apercebo o quão perfeitamente este post se enquadra com o anterior.
Se em vez de insectos nas teias, fossem cães a serem devorados por outros animais ou, para uma versão mais realista, cães a se afogarem em lagos, eu não teria parado à segunda. Já tirei um cão que não conseguía sair de um dos lagos e mais houvesse, mais eu tirava.
Tal como um pombo ferido ou um gnu que está a ser devorado vivo, os insectos não têm uma forma clara de me fazer sentir o seu desespero, a sua dor, a sua vontade de continuar a viver e assim desisti à segunda.
Os peixes do meu sonho anterior também não tinham forma de fazer saber a sua agonia às crianças. Eu é que consegui lhes explicar e miraculosamente, compreenderam.
Este pular entre sonho, imaginação e realidade fez-me recordar outro episódio recente e dá-me uma possível explicação para a cena das crianças e dos peixes no sonho do post anterior. Há coisa de uma semana vi um grupo de miúdos junto à margem de um dos lagos e eles olhavam para o chão. Tinham apanhado um peixe e estavam a vê-lo morrer. Aproximei-me e nem lhes dei tempo de fazer nada: apanhei o peixe e mandei-o de volta para o lago. Ficaram putos da vida e começaram a ameaçar fazer mal ao meu cão.
Talvez se eu tivesse agido como agi no sonho as coisas tivessem corrido melhor.
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