
Ontem no caminho que pouco varia para o trabalho, ao passar pelo local onde tinha visto a andorinha morta procurei-a, desejando já não a ver... e não a vi.
Já a contornar o edifício onde trabalho, começo a ver no meio da porcaria acumulada das andorinhas uma andorinha morta... e mais outra e mais outra e mais outra, muitas andorinhas pequeninas mortas. Ninguém as matou, caíram do ninho antes que soubessem voar, nem tentaram porque caíram mesmo por baixo da zona dos ninhos.
Aquilo que sinto é um produto de tantas coisas...
É fruto da importância que as coisas têm para mim. A morte é importante, a dor é importante... são ausência de vida e de bem estar.
A quantidade é importante, por morrer uma andorinha não acaba a Primavera, mas e se morrerem uma dúzia?
O tamanho importa, não é a mesma coisa ver uma dúzia de andorinhas mortas no chão ou ver uma dúzia de avestruzes ou mesmo baleias
Também é muito diferente algo morrer a 30cms da minha cara, a 2 metros, a 30 ou noutro país.
E claro, o que sinto é diferente através da forma como se toma contacto, seja por visão, audição, tacto, cheiro, imaginação ou memória.
O que sinto por algo que está a acontecer, que acabou de acontecer, que aconteceu até antes de eu ter nascido ou que irá acontecer é diferente, a distância no tempo importa, o tempo é mesmo uma 4ª dimensão mesmo nos sentimentos.
A empatia que sinto por uma pessoa, uma planta, um animal ou algo sem vida são diferentes. O que sinto é enormemente afectado pela empatia que tenho com o que observo.
E o que sinto depende de mim, no momento, porque eu mudo a cada momento, a cada sentimento.
Como é que se compreende e se sente ao mesmo tempo?
Fazer uma imagem para este post vai ser fácil, vou ser mais óbvio do que em todos os posts anteriores.
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Fazer uma imagem para este post foi díficil. Saber o que quero está longe de ser um bom método de criação para mim.
Your name is being called by sacred things,
that are not addressed or listened to.
Sometimes they blow trumpets.
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