
O pardal morreu. Parece que não resistiu ao frio, mesmo numa noite de Junho.
Em certas partes da África Oriental, não se marca o nascimento de uma criança com o parto ou com a data de concepção, mas com o dia em que o pensamento dessa criança surge na mente da sua mãe. Então ela sai da aldeia, vai para o campo e senta-se debaixo de uma árvore. Ela aguarda que a criança lhe diga qual é a sua canção.
Depois ela volta para a aldeia e ensina a canção às mulheres que a vão assistir durante o parto. Desta forma os primeiros sons que a criança ouve ao nascer são a sua própria canção entoada pelo grupo de mulheres. Mas mesmo antes, a criança já conhece a canção, que mais não seja de ouvir a sua mãe cantá-la antes de ter nascido.
Se a criança cai e chora, há sempre alguém que a consola e lhe canta a sua canção. Essa canção acompanhará a criança pela vida fora, desde rituais de passagem e casamento até ao dia da sua morte.
Por vezes quando me olho ao espelho ou ouço, leio ou penso no meu nome, tenho dificuldades no reconhecimento.
Não vejo estas imagens como criações minhas e isto deve-se em grande parte à forma como as crio. É um processo de experimentação e selecção. Antes de ter criado esta, tinha criado outra e não gostei do resultado. Temi que esta série estivesse já a chegar ao fim. Deitei 90% fora e recomecei. Aqui está o que foi fora.
2 comentários:
Tens muito bom gosto!
Obrigado :)
Dá vontade de dizer: tu é que tens muito bom gosto para poderes dizer que eu tenho bom gosto, hehehe.
Mas por acaso nem concordo.
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